o grau de sua nascente civilisa??o. Assim formulamos a historia, ainda que incompleta nos primitivos tempos da terra habitada, e descobrindo os segredos d'essa existencia, saberemos quaes foram os esfor?os da intelligencia humana desde o seu alvorecer.
Quando os romanos se impozeram aos outros povos, e em repetidas conquistas ampliaram o seu dominio no antigo mundo, invadiram o territorio d'essas ra?as indigenas, e depois de renhidas batalhas o povo-rei subjugou-as, hasteando entre ellas a aguia romana; por��m n'essas ��pocas j�� havia historiadores que nos deixaram as narra??es de taes feitos: assim o estudo d'esses acontecimentos, n?o �� t?o difficil, porque n?o precisamos de ir inteiramente �� crusta terraquea pedir-lhe os seus segredos.
A invas?o dos barbaros do Norte veiu depois desapossar os romanos de suas conquistas, e a destrui??o que ella causou foi total, e de tal modo, que aos actos do elemento da parte mais feroz d'essas hordas se ficou chamando vandalismo. Se um cataclismo terrestre havia, pois, feito desapparecer antes os vestigios dos povos mais antigos do mundo, os barbaros do Norte n?o foram menos prejudiciaes por aniquilarem a civilisac?o que os romanos haviam plantado na Europa.
Todos conhecem a decadencia do Baixo-Imperio: as guerras continuas; o desprezo e o esquecimento da instruc??o; at�� que appareceu um homem de animo forte e de intelligencia superior, que, apoderando-se do poder, formou um novo imperio, e pela sua sabedoria e por suas victorias alcan?ou a gloria de haver feito reviver o explendor da civilisa??o na Europa.
A idade media foi fecunda em acontecimentos, que prepararam os povos para aguardarem uma era, em que os seus direitos e a sua civilisa??o triumphassem das arbitrariedades e dos vexames que soffriam; depois surgiu o renascimento das lettras e das artes, que foi o prenuncio da nova civilisa??o.
Fica, portanto, reconhecida a necessidade de um estudo especial dos fragmentos e das ruinas dos antigos para formarmos, como j�� dissemos, justa id��a dos usos, costumes e cren?as dos primeiros habitantes do mundo, e principalmente dos que existiram na Europa, muito mais interessante para n��s, por vivermos no territorio occupado por elles. Poderemos d'este modo dirigir os nossos especiaes estudos para a Lusitania, e entrar nas mais minuciosas investiga??es com respeito aos tumulos, ��s fortifica??es, aos templos, aos ornatos, ��s habita??es, a tudo emfim que determina e constitue a sciencia da archeologia, com a qual supprimos a falta da historia escripta.
Foram os allem?es, os inglezes e os francezes os primeiros que trataram d'essas curiosas investiga??es; e os sabios que se dedicaram a taes e t?o uteis estudos, principalmente Mr. de Caumont, e outros, que publicaram obras de grande merito, s?o dignos da nossa admira??o e do nosso reconhecimento, porque, procurando as origens da industria humana, nos revelaram interessantes conhecimentos, que n?o s�� serviram para coordenar a historia das ��pocas mais remotas, mas tambem para estimular o desejo de conservar as antiguidades que estavam dispersas e desprezadas, attestando ignorancia e incuria.
Em Portugal nunca se pensara n'este ramo de instruc??o, posto que em alvar�� de 14 de agosto de 1721 se ordenasse que se fossem colligindo as informa??es indispensaveis e se adquirissem objectos antigos, que facilitassem o estudo da archeologia, por��m ficou em letra morta; e tanto assim que s�� em 1864 se organisou o primeiro museu archeologico, por iniciativa da pessoa que escreve estas linhas, fazendo o governo para esse fim a concess?o das ruinas da monumental egreja gothica do Carmo, de Lisboa, onde tambem depois estabelecemos em annos successivos um curso ��cerca da historia geral da architectura.
Como quer que seja, a sciencia da archeologia n?o f?ra cultivada entre n��s methodicamente, e por isso n?o deve estranhar-se que n?o apparecesse at�� hoje, em Portugal, alguma obra elementar que auxiliasse o seu estudo. Para supprir tal falta, ousamos n��s mandar imprimir um resumido trabalho, que comprehende a descrip??o dos objectos antigos, desde a edade de pedra at�� ao seculo XVII, tomando para norma a notavel obra do sr. de Caumont, o qual, al��m de distinguir-nos com a sua apreciavel amisade, nos auctorisou a servirmo-nos dos seus admiraveis trabalhos; e j�� que nos �� licito honrar-lhe aqui a memoria gloriosa, sejam estas paginas consagradas ao illustre fundador da sciencia archeologica em Fran?a, como levantado a um dos testemunhos da nossa venera??o.
No volume, que vamos publicar, e cujos fundamentos lan?��mos haver�� sete annos, est?o illustrados corn gravuras numerosas, mais de 300 no texto, as passagens em que se tornava indispensavel esse meio de observa??o; seguindo, quanto possivel, a obra do sr. de Caumont, como j�� indic��mos, procuramos ao mesmo tempo amplial-a com as explica??es das antiguidades encontradas em Portugal, interessando assim ainda mais os nossos compatriotas.
Suppomos que este livro poder�� ser tambem de proveito nas nossas escolas, onde �� t?o geralmente reconhecida a necessidade de livros especiaes, que fallem aos alumnos de assumptos que s?o hoje do dominio de uma educa??o liberal; assim se tornar?o

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