Noções elementares de archeologia | Page 7

Joaquim Possidónio Narciso da Silva
adeptos do estudo e da sciencia archeologica, que lhe fornece as primeiras bases, para que sejam outros tantos propagandistas da conserva??o da nossa arte e das nossas preciosidades archeologicas.
Apezar de ser trabalho complexo e difficil, n?o s�� para a nossa limitada intelligencia, mas tambem pelos escassos recursos de que podemos dispor para uma publica??o d'esta ordem, o nosso vivo desejo de divulgar o gosto pela archeologia, de satisfazer ao constante empenho em estimular o estudo d'esta sciencia indispensavel para bem avaliar a historia da arte em Portugal, sirva comtudo de attenuante ��s faltas que houvessemos de commetter. E tambem, digamol-o, ficam aqui os cimentos de obra mais perfeita e de maior tomo para os que possam lan?ar-lhe hombros mais robustos e intelligencia mais apurada. Os que prezam o trabalho e amem o estudo relevem a nossa ousadia, e deitem-a �� conta da boa vontade e da sinceridade com que sempre tent��mos bem servir a patria.
17 de Maio de 1877.

NO??ES ELEMENTARES DE ARCHEOLOGIA
* * * * *
CAPITULO I
*Tempos prehistoricos*
Chamaram prehistoricos aos tempos antigos de que n?o existe historia escripta.
Desde os tempos mais remotos, apparece um longo periodo sem historia escripta, nem elementos positivos, durante o qual tentamos encontrar o progresso e o desenvolvimento da humanidade, unicamente por vestigios mais ou menos incompletos.
O archeologo tem que tomar a penna do historiador e procurar deduzir algumas probabilidades historicas, com observa??o escrupulosa dos factos averiguados. Os antiquarios modernos t��em-se dedicado com entranhado amor a este genero de investiga??es.
Estabeleceram na historia pertencente �� existencia do homem, anterior ��s ��pocas conhecidas, tres grandes phases, ou estancias, a saber:
Idade de Pedra Idade de Bronze Idade de Ferro
A fundi??o, ou reduc??o dos metaes, �� uma opera??o difficil, que foi de certo por muito tempo desconhecida: os povos atrazados na civilisa??o deviam fabricar os objectos de que tivessem necessidade para a propria defensa e para a ca?a, assim como para os usos communs da vida, empregando pedras rijas, como �� o silex (pedreneira), os ossos dos animaes, ou a madeira.
O extraordinario numero de descobrimentos feitos nos diversos paizes, principalmente em Fran?a, na Suissa, na Inglaterra, e na Dinamarca, confirmou esta supposi??o.
As collec??es dos museus cont��m quantidade consideravel de pontas de frechas, facas, machados, feitas com pedreneira e em rocha rija: grande numero de instrumentos de osso, ou de pedra, se tem achado em differentes partes, e esses instrumentos conservam-se quasi intactos dentro do solo, onde estavam occultos. O periodo secular em que os metaes n?o estavam ainda em uso recebeu, pois, a denomina??o de idade de pedra.
As melhores qualidades de rochas para fabricar os instrumentos cortantes, eram o silex (pedreneira), felds-pathicas, o petrosilex verde, e algumas variedades de porphyro; por��m o silex tem sido, como parece, a pedra mais constantemente empregada, e talvez a mais facil de preparar a forma requerida.
Seguramente, se dermos com certa precau??o uma martellada sobre um fragmento de silex, de forma alongada, esse silex estalar��, e a pedra que se desligue tomar�� logo a forma conoidal; ficar�� chata de um dos lados, mostrando do outro uma aresta viva. Podiam-se fazer por este modo facas de pederneira, de que em diversas localidades se tem encontrado centenares de modelos.
[Figura 1]
Fazendo-se estalar esta qualidade de pedra repetidas vezes com certa habilidade, podem-se fabricar machados, pontas para flechas e outros instrumentos do genero d'aquelles de que apresentamos os desenhos n'esta pagina.
Os objectos pertencentes �� idade de pedra e �� idade de bronze tem sido encontrados, principalmente nos tumulos, nas cidades lacustres, em algumas cavernas, antigamente habitadas.
Examinemos os dep��sitos que indicamos, porque nos offerecer?o, segundo recentes explora??es, mat��ria variada e curiosa para o nosso estudo.
*Tumulos*
Os tumulos ou sepulchros, comp?em-se d'um recinto central formado de pedras de rocha de grande dimens?o, no qual se entra geralmente por um corredor de egual construc??o, estando tudo encerrado em immenso mont?o de pedras e terra.
Quer fosse porque estivesse com imperfei??o o recinto central encerrado no meio do outeirinho fact��cio; quer, o que parece mais natural, porque se servissem da terra ou das pedras dos tumulos em ��poca posterior, muitas vezes foram encontrados os pedregulhos que formam a parte central sem a terra que os cobria e quasi completamente separados; ent?o n'este caso chamavam-se Antas (dolmen).[1]
[Figura 2: Vista exterior de um tumulo]
Os defuntos eram depositados com os seus corpos inteiros e em geral apresentavam-os sentados e encostados nas paredes do recinto central, tendo junto de si os machados e outras armas de pederneira; algumas vezes vasos de barro toscamente fabricados, e outros objectos de uso commum.
Veja-se o desenho n.^o 2, de um tumulo completo; o n.^o 3, um tumulo aberto com dolmen; o n.^o 4, um dolmen completamente desguarnecido; e o n.^o 5, a perfeita Anta de Guitam?es, em Vianna do Castello.
[Figura 3: Vista interior de um tumulo]
[Figura 4: Dolmen central de um tumulo]
Varios antiquarios tinham tomado os dolmens desguarnecidos de tumulos por altares druidicos,
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