verosimilhan?a. �� esta em nossa opini?o a maneira mais simples de exprimir a philosophia da arte entre elles, ou os elementos da sua poetica, os quaes o continuaram a ser at�� nossos dias. ��, pois, o valor dos termos imita??o, bello, unidade, verdade ou verosimil, que cumpre determinar para ver se as id��as que exprimem est?o em harmonia entre si, e se podem dar validade a uma poetica nellas fundada.
A imita??o supp?e o bello em a natureza moral ou physica, e qualquer d'ellas existente f��ra de n��s. Os actos humanos ser?o na primeira, digamos assim, o substractum da imita??o: na segunda s��-lo-h?o os corpos, e o bello nos ser�� communicado por meio das sensa??es: qualidade dos corpos, f��rma das ac??es, naquelles a sua impress?o ser�� universal, nesta nunca necessaria. O europeu, o chim, o hottenlote sentir?o egualmente que o Apollo de Belvedere �� bello: a ac??o dos templarios cantando hymnos a Deus no meio das chammas, e cuja morte Mr. Rainouart pintou divinamente num s�� verso:
?Il n'en etait plus tems, les chants avaient cess��.?
nunca ser�� nessariamente bella: se elle a imitou de um acto humano similhante, esse acto sendo contingente parece-nos n?o teria qualidade dotada de caracter necessario: se applicarmos isto a uma ac??o ��pica ou dramatica, ainda mais visivel �� a falta de necessidade da sua existencia e consequentemente a dos seus caracteres formaes.
Se dissermos que o bello �� relativo e resultado do nosso modo de ver, da rela??o particular dos objectos comnosco, da harmonia ou desharmonia dos tactos com as nossas id��as moraes, nesse caso n?o poderemos affirmar que os Lusiadas ou a Odyssea sejam absolutamente superiores ao Affonso ou ao Viriato Tragico. Poderemos dizer que para n��s n?o ha sequer compara??o; mas seria absurdo exigir dos outros o mesmo sentimento. Boileau julgou esquivar-se a esta difficuldade asseverando que a opini?o geral devia ser a norma do nosso modo de sentir, e que a totalidade dos homens n?o se engana numa cren?a duradoura. Desejariamos que Boileau nos dissesse se era pela opini?o geral que elle acharia frio o gelo e quente o fogo. Que nos importa a opini?o quando se tracta de sensa??es? Que vale mesmo aos olhos dos homens cordatos o credito de uma opini?o geral? Cremos n��s hoje na arte m��gica, na alchymia, ou na virtude dos Jesuitas? E foram estas cren?as porventura pouco geraes e pouco duradouras? Quando concedessemos o principio, elle nos seria inutil para julgar as produc??es contemporaneas, e a critica n?o nos serviria para conservar puras as letras, nem para gozar as crea??es do genio moderno: a gloria ou o desprezo n?o encontraria j�� nem as cinzas do poeta. Seculos haveriam passado para reformar a opini?o, quando isso mesmo fosse possivel.
Mas felizmente n?o �� assim. Lamartine! com uma poesia celeste tu fazes adorar a religi?o que saudaste em teus hymnos solitarios. Monti! tu nos encheste de um terror delicioso conduzindo-nos aos umbraes do outro mundo. Schiller! quem n?o sentiu bater mais fortemente o cora??o lendo a despedida de Picolomini e Thecla? A infancia do seculo XIX j�� tem muitos titulos com que fa?a passar sua memoria enobrecida deante dos outros seculos. Elles julgar?o como n��s os genios que no meio das tempestades politicas consolaram o genero humano com a harmonia de seus cantos. Ac��rca de Lamartine, de Monti, de Schiller, e n?o s�� d'elles, n��s damos seguro da posteridade.
Tal �� o bello para quem o julgar em sua modalidade necessario e absoluto: uma id��a opposta repugna e nos afflige: n��s queremos que todos os tempos, todos os homens o julguem e gozem como n��s, e diremos sem hesitar, o que n?o for de nosso sentir ou carecer�� de gosto ou o ter�� pervertido.
�� esta circumstancia da necessidade do nosso juizo sobre o bello que distingue inteiramente este do agradavel.--Do primeiro n��s affirmamos a existencia, do segundo a sua rela??o comnosco. O quadro da morte da Clorinda na Jerusalem Libertada �� bello, e que deixe os poetas aquelle que tal n?o o julgar. Um pomo saboroso �� para n��s agradavel, talvez para outrem o n?o seja, o que nos �� indifferente. No primeiro caso julgamos; no segundo exprimimos a id��a da rela??o particular entre n��s e o phenomeno.
A que reduziri?o Burke e Delaunay a maxima parte do que escreveram sobre o assumpto se tivessem reflectido nesta differen?a? Poria um porventura os elementos do bello nas linhas curvas e no macio e t��-lo-ia outro dividido geographicamente como se dividem as ra?as humanas? Estamos persuadidos que n?o.
A incerteza ac��rca do criterio do bello n?o �� o unico resultado do principio da imita??o: elle tambem est�� em contradic??o com o da unidade: esta debalde se procuraria nos corpos: as partes do universo coexistem; mas individualmente, e entre individuo e individuo medeia um abysmo que rigorosamente falando n��s n?o podemos eliminar: generos, especies, familias, causas e effeitos

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