nossa situa??o politica. Para isto seria do exame da eloquencia nos differentes tempos e logares, que n��s partiriamos em nossas indaga??es: veriamos Demosthenes, trovejando na tribuna, armado da raz?o e da indigna??o, admiravelmente conciso e misturando com esta concis?o os sublimes movimentos do patriotismo, arrastar ap��s si a opini?o das multid?es; veriamos Cicero defender os seus clientes, tractar os mais importantes negocios da republica quasi sempre com uma gravidade e eloquencia estudadas: na historia da oratoria moderna achariamos a vigorosa raz?o de Mirabeau acompanhada de um estylo raras vezes rasteiro; achariamos nos discursos de Maury os mais bellos monumentos de uma eloquencia mascula mas tranquilla; e, finalmente, o frenesi inspirado pelo amor ��s velhas f��rmas do absolutismo nas ora??es de Montlosier: passando �� da Inglaterra exporiamos o genero de Pitt, genero severo, renovado hoje por Makintosh e Burdett, a que succedeu o igualmente nervoso, por��m mais cheio de artificio, de Burke, Sheridan e Caning, e o genero medio de Fox, terminando assim o exame das fontes verdadeiras da eloquencia.
Seria a d'esta ultima na??o que n��s proporiamos como principal modelo sem exceptuar comtudo as outras. Entre os gregos, romanos, e franceses ha muito que aproveitar; mas, se �� verdade que a litteratura em parte depende de certa harmonia com as circunstancias de cada povo, nenhuma eloquencia �� mais digna para n��s d'estudo do que a inglesa. Nem entre os antigos, nem na republica francesa, ella estava na mesma rela??o com as institui??es sociaes que vai a estar na nossa patria. O orador, na discuss?o de uma lei perante a plebe, que deve votar sobre ella ou influir na vota??o, como acontece no calor das revolu??es, tem de usar de meios differentes dos que hade empregar para a impugnar ou defender em uma camara, cujos membros s?o, ou devem ser, os mais conspicuos da na??o por suas luzes e virtudes. No primeiro caso os raciocinios convem sejam acompanhados dos meios formais da arte para dirigir as paix?es populares; no segundo, expostos a homens que conhecem a arte t?o bem como o orador, sem alcan?arem o seu effeito, os artificios s�� attrahiriam sobre elle a suspeita de m�� f��: isto sem pretendemos dizer que elle discuta com a secura de um geometra as quest?es do publico interesse; por��m os seus movimentos devem surgir sinceros de um cora??o intimamente commovido e de nenhum modo dar a conhecer que foram tranquillamente calculados pelos preceitos de Quintiliano.
Entre os romanos, a pequena por??o de leis que havia ainda nos ultimos tempos da republica e o espirito de generalidade a que se limitavam, dava motivo a que nas causas particulares o advogado ou accusador de qualquer r��o buscasse despertar a compaix?o ou a sanha dos juizes, de quem muitas vezes era guia unica o senso commum e a moralidade, na falta de disposi??es preceptivas, e apesar da similhan?a dos tribunaes civis e criminaes de Roma com os nossos modernos jurados, existe entre n��s e elles uma differen?a enorme por causa das circunstancias legaes. Hoje, entre os povos livres, ha, ou deve haver, um codigo que previne todos os casos com clareza e exac??o, e o mister do orador reduz-se a provar se o seu cliente est�� ou n?o no caso da lei: ent?o todo o pleito dever�� ser uma quest?o de factos provados ou provaveis, e vice-versa.
D'aqui se colhe qu?o sobrio elle deve ser empregando os meios que lhe ministra a arte. Clareza, ordem de id��as, logica severa, eis os meios principaes da eloquencia do f?ro e das camaras legislativas.
Tal �� o r��pido quadro do nosso modo de pensar sobre a actual litteratura portuguesa, e sobre os meios de a dirigir. As curtas reflex?es que temos feito sobre a poesia e a eloquencia s?o as bases em que julgamos dever-se fundar um curso de litteratura, que serviria como de introduc??o aos estudos mais profundos do poeta e do orador. Oxal�� que d'entre os nossos litteratos algum se encarregue d'esta util e importante tarefa.
POESIA
Imita??o--Bello--Unidade
*REPOSITORIO LITTERARIO*
1835
POESIA
Imita??o--Bello--Unidade
Je donne mon avis non comme bon, mais comme mien.
Montaigne.
Na torrente de opini?es contrarias sobre a critica litteraria, que na presente epocha combatem, morrem, ou nascem, tambem n��s temos a nossa: e vem a ser parecer-nos que da falta de exame dos principios em que se fundam os differentes systemas, procedem essas quest?es que se teem tornado interminaveis talvez por esse unico motivo. O genio, impellido a produzir no meio de id��as vagas e controvertidas sobre as f��rmas, as condi??es da poesia, julga que todas ellas s?o indifferentes e desvairado se despenha; o engenho, dominado pelos preceitos que muitos seculos por assim dizer, sanctificaram, contrafaz e apouca as suas produc??es temendo cair naquillo que julga monstruoso e absurdo. Tal ��, geralmente, o estado da litteratura: e emquanto se n?o estabelecer um corpo de doutrina que, afian?ando a liberdade do poeta, o circumscreva aos limites da

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