Noções elementares de archeologia

Joaquim Possidónio Narciso da Silva

No??es elementares de archeologia?by Joaquim Possid��nio Narciso da Silva

The Project Gutenberg EBook of No??es elementares de archeologia
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Title: No??es elementares de archeologia
Author: Joaquim Possid��nio Narciso da Silva
Commentator: I. de Vilhena Barbosa
Release Date: November 29, 2005 [EBook #17186]
Language: Portuguese
Character set encoding: ISO-8859-1
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NO??ES ELEMENTARES
DE
ARCHEOLOGIA
OBRA ILLUSTRADA COM 324 GRAVURAS
E
UMA INTRODUC??O
Do Sr.
I. DE VILHENA BARBOSA
Socio Effectivo da Academia Real das Sciencias
DEDICADA �� MEMORIA DO ILLUSTRE ARCHEOLOGO
MR. A. DE CAUMONT
por
JOAQUIM POSSIDONIO NARCISO DA SILVA
Architecto da Casa Real, Socio correspondente do Instituto de Fran?a, Honorario do Instituto Real dos Architectos Britannicos, da Sociedade Franceza de Archeologia, da Sociedade Central dos Architectos de Paris, correspondente da Academia Real de S. Fernando, fundador do Museu de Archeologia em Lisboa, etc. etc. etc.
MEDALHA DO CONGRESSO ARCHEOLOGICO DE LOCHES CONFERIDA NA SUA SESS?O DE JUNHO DE 1869
LISBOA
LALLEMANT FR��RES
6, Rua do Thesouro Velho, 6
1878

A SUA ALTEZA REAL
O SERENISSIMO PRINCIPE
*D. Carlos Fernando Pedro d'Alcantara*
DUQUE DE BRAGAN?A
*Com a mais respeitosa homenagem*
O. D. C.
*O humilde auctor d'este compendio*
JOAQUIM POSSIDONIO NARCISO DA SILVA.

INTRODUC??O
I
N?o conheceram os povos da antiguidade a archeologia, pelo menos como uma sciencia. Foi ignorada dos proprios gregos e romanos, n?o obstante a sua brilhante civilisac?o, e apezar dos primeiros lhe terem creado o nome, composto de dois vocabulos seus: archaios, que quer dizer antigo, e logos discurso. E tanto a desconheciam, confundindo-a com a historia, que alguns escriptores gregos e israelitas do principio da era christ?, deram o nome de archeologia a obras que tratavam simplesmente da historia de povos, embora desde tempos remotos, ou que se occupavam de antiguidades, mas limitando-se a descreverem os monumentos, sem entrarem nas aprecia??es e conjecturas, que levam o archeologo ao conhecimento do viver dos povos da antiguidade.
Os generaes romanos, quando voltavam d'essas emprezas guerreiras que accrescentavam ao imperio novas provincias, traziam mil objectos preciosos, variadissimas manifesta??es da arte e da industria dos vencidos, curiosos utensilios e ricos ornamentos em marmore, bronze, prata e oiro, obra de diversos povos, e differentes seculos. Pois os romanos applaudiam e apreciavam essas preciosidades, que vinham enriquecer a sua capital, constituindo-a um verdadeiro museu archeologico, apreciavam-n'as, repito, s��mente como despojos arrebatados aos vencidos pelas suas aguias triumphantes, como tropheus de victorias, que glorificavam o seu nome, e estendiam o seu poderio.
Nem os vasos sagrados do templo de Jerusalem, preciosos pela materia e ricos de tradi??es antiquissimas; nem os obeliscos do Egypto, padr?es de t?o remotas eras; nem as famosas estatuas da Grecia, sublimes creac?es do genio humano em uma das quadras mais notaveis da historia geral da civilisac?o; nem estes, nem outros objectos archeologicos e primores d'arte, que eram transportados a Roma a todo o momento, nos tempos da sua grandeza, faziam meditar os romanos sobre as extinctas civilisa??es, que muitos d'esses objectos recordavam, com o intuito de devassarem os mysterios da vida d'essas na??es, sumidas nos abysmos do passado.
Pausanias, geographo e historiador grego que, nas suas longas viagens, visitou a maior parte do mundo ent?o conhecido, vindo depois estabelecer a sua residencia em Roma, no anno 170 do nascimento de Christo, escreveu a Descrip??o da Grecia, na qual trata com minuciosidade de todos os seus monumentos. Por��m limita-se a descrevel-os como historiographo, sem os estudar e apreciar como archeologo.
Baqueou o imperio romano ao duro embate dos barbaros do norte; e o mesmo tuf?o, que o varreu da face da terra, apagou aquelle facho resplandecente, que irradiava a luz da civilisac?o para todas as regi?es do orbe antigo, onde chegavam as armas da soberba Roma.
Succederam-se, portanto, a tamanho explendor as mais crassas trevas da ignorancia e da barbaridade, em que a Europa esteve mergulhada durante seculos, at�� que emfim raiou a aurora da regenera??o social, renascendo as letras e as artes. Foi ent?o que surgiram os primeiros ensaios da archeologia. Dante e Petrarca, os illustres iniciadores da litteratura moderna, foram tambem os creadores da sciencia archeologica, precedendo a todos os sabios na investiga??o dos manuscriptos antigos, no descobrimento e decifra??o de velhas inscrip??es, e no estudo das moedas, em que o segundo se occupou.
N?o tardaram a ter imitadores que procurassem desvendar, sob o p�� dos seculos, os mysterios da historia. A descoberta de algumas pinturas antigas, em excava??es casuaes, quando os espiritos j�� come?avam a raciocinar sobre a theoria da arte, e quando j�� se principiava a apreciar os monumentos da antiguidade como annaes do viver das gera??es passadas, foi um novo
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