canta, a vastid?o imensa!?Eu qu'ria ser a pedra que n?o pensa,?A Pedra do caminho, rude e forte!
Eu qu'ria ser o Sol, a luz intensa,?O bem do que �� humilde e n?o tem sorte!?Eu qu'ria ser a ��rvore tosca e densa?Que ri do mundo v?o e at�� da morte!
Mas o Mar tamb��m chora de tristeza...?As ��rvores tamb��m, como quem reza,?Abrem, aos C��us, os bra?os, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim dum dia,?Tem l��grimas de sangue na agonia!?E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!...
*Pior velhice*
PIOR VELHICE
Sou velha e triste. Nunca o alvorecer?Dum riso s?o andou na minha boca!?Gritando que me acudam, em voz rouca,?Eu, n��ufraga da Vida, ando a morrer!
A Vida que ao nascer enfeita e touca?D'alvas rosas, a fronte da mulher,?Na minha fronte m��stica de louca?Mart��rios s�� poisou a emurchecer!
E dizem que sou nova... A mocidade?Estar�� s��, ent?o, na nossa idade,?Ou est�� em n��s e em nosso peito mora?!...
Tenho a pior velhice, a que �� mais triste,?Aquela onde nem sequer existe?Lembran?a de ter sido nova... outrora...
*A um livro*
A UM LIVRO
No sil��ncio de cinzas do meu Ser?Agita-se uma sombra de cipreste.?Sombra roubada ao livro que ando a ler,?A esse livro de m��goas que me deste.
Estranho livro aquele que escreveste?Artista da saudade e do sofrer!?Estranho livro aquele em que puseste?Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!
Leio-o e folheio, assim, toda a minh'alma!?O livro que me deste �� meu e salma?As ora??es que choro e rio e canto!...
Poeta igual a mim, ai quem me dera?Dizer o que tu dizes!... Quem soubera?Velar a minha Dor desse teu manto!...
*Alma perdida*
ALMA PERDIDA
Toda esta noite o rouxinol chorou,?Gemeu, rezou, gritou perdidamente!?Alma de rouxinol, alma da gente,?Tu ��s, talvez, algu��m que se finou!
Tu ��s, talvez, um sonho que passou,?Que se fundiu na Dor, suavemente...?Talvez sejas a alma, alma doente?D'algu��m que quis amar e nunca amou!
Toda a noite choraste... e eu chorei?Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei?Que ningu��m �� mais triste do que n��s!
Contaste tanta coisa �� noite calma,?Que eu pensei que tu eras a minh'alma?Que chorasse perdida em tua voz!...
*De joelhos*
DE JOELHOS
?Bendita seja a M?e que te gerou.??Bendito o leite que te fez crescer.?Bendito o ber?o aonde te embalou?A tua ama, p'ra te adormecer!
Bendita essa can??o que acalentou?Da tua vida o doce alvorecer...?Bendita seja a lua que inundou?De luz, a terra, s�� para te ver...
Benditos sejam todos que te amarem,?As que em volta de ti ajoelharem,?Numa grande paix?o fervente e louca!
E se mais que eu, um dia, te quiser?Algu��m, bendita seja essa Mulher,?Bendito seja o beijo dessa boca!!
*Languidez*
LANGUIDEZ
Tardes da minha terra, doce encanto,?Tardes duma pureza d'a?ucenas,?Tardes de sonho, as tardes de novenas,?Tardes de Portugal, as tardes d'Anto.
Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!...?Horas benditas, leves como penas,?Horas de fumo e cinza, horas serenas,?Minhas horas de dor em que eu sou santo!
Fecho as p��lpebras roxas, quase pretas,?Que poisam sobre duas violetas,?Asas leves cansadas de voar...
E a minha boca tem uns beijos mudos...?E as minhas m?os, uns p��lidos veludos,?Tra?am gestos de sonho pelo ar...
*Para qu��?!*
PARA QU��?!
Tudo �� vaidade neste mundo v?o...?Tudo �� tristeza; tudo �� p��, �� nada!?E mal desponta em n��s a madrugada,?Vem logo a noite encher o cora??o!
At�� o amor nos mente, essa can??o?Que o nosso peito ri �� gargalhada,?Flor que �� nascida e logo desfolhada,?P��talas que se pisam pelo ch?o!...
Beijos d'amor! P'ra qu��?!... Tristes vaidades!?Sonhos que logo s?o realidades,?Que nos deixam a alma como morta!
S�� acredita neles quem �� louca!?Beijos d'amor que v?o de boca em boca,?Como pobres que v?o de porta em porta!...
*Ao vento*
AO VENTO
O vento passa a rir, torna a passar,?Em gargalhadas ��sp'ras de demente;?E esta minh'alma tr��gica e doente?N?o sabe se h��-de rir, se h��-de chorar!
Vento de voz tristonha, voz plangente,?Vento que ris de mim, sempre a tro?ar,?Vento que ris do mundo e do amar,?A tua voz tortura toda a gente!...
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!?Desabafa essa dor a s��s comigo,?E n?o rias assim!... �� vento, chora!
Que eu bem conhe?o, amigo, esse fad��rio?Do nosso peito ser como um Calv��rio,?E a gente andar a rir p'la vida fora!!...
*T��dio*
T��DIO
Passo p��lida e triste. Oi?o dizer??Que branca que ela ��! Parece morta!??E eu que vou sonhando, vaga, absorta,?N?o tenho um gesto, ou um olhar sequer...
Que diga o mundo e a gente o que quiser!?--O que �� que isso me faz?... O que me importa?...?O frio que trago dentro gela e corta?Tudo que �� sonho e gra?a na mulher!
O que �� que isso me importa?! Essa tristeza?�� menos dor intensa que frieza,?�� um t��dio profundo de viver!
E �� tudo sempre o mesmo, eternamente...?O mesmo lago pl��cido, dormente...?E os dias, sempre os mesmos, a correr...
*A minha Trag��dia*
A MINHA TRAG��DIA
Tenho ��dio �� luz e raiva �� claridade?Do sol, alegre, quente, na subida.?Parece que a minh'alma �� perseguida?Por um carrasco cheio de maldade!
�� minha v?, in��til mocidade?Trazes-me embriagada, entontecida!...?Duns beijos que me deste, noutra vida,?Trago em meus l��bios roxos, a saudade!...
Eu n?o gosto do sol, eu tenho

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