Como atravessei Àfrica | Page 4

Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto
Zumbo, e assim um mercado muito mais perto, onde elles poderiam ir abastecer-se dos g��neros Europ��os de que precisassem.
Elle queixou-se muito da falta que nos ��ltimos tempos lhe havia feito o n?o virem ali negociantes de Benguella, n?o me occultando que, entre outras cousas, estava sem p��lvora. Eu respondi-lhe, que elles viriam, se com elles fizessem bons negocios, e que eu lhe podia affirmar, que o Mueneputo estava disp?sto a proteger o commercio com elle, se elle se compromettesse a n?o consentir nos seus estados a compra e a venda de escravos.
N?o lhe occultei a falta de meios com que eu lutava, e mostrando-lhe o desejo e empenho que tinha em abrir o caminho do Zumbo, prometti-lhe, se elle me coadjuvasse na empr��sa, fazer-lhe chegar de Tete, no menor tempo possivel, a p��lvora e mais artigos de que elle carecia.
O Gambela, homem intelligente e fino diplomata (tambem os ha pr��tos), quiz por v��zes enredar-me, mas eu n?o sahia da verdade e da l��gica, e elle foi vencido.
No fim de muito discutir, ficou decidido, que o rei Lobossi mandaria uma comitiva a Benguella, para guiar a qual eu lhe daria um homem de confian?a, com cartas para o governador e para Silva Porto, e que elle me daria a gente de que eu precisasse para ir comigo ao Zumbo.
Era uma hora da noute quando eu me retirei, e ainda que sempre desconfiado de pr��tos, n?o posso deixar de confessar que me retirei satisfeito.
O dia foi t?do muito occupado, e depois de �� uma hora me recolher, sobreveio-me um enorme accesso de febre.
Levantei-me muito doente no dia seguinte, e mandei logo Quimbundos e Quimbares construirem um acampamento meio kil��metro ao sul de Lialui, para o qu�� obtive autoriza??o do rei.
P��las 10 horas, fui visitar Lobossi, que encontrei n'uma grande casa circular, cercado de gente, e tendo diante de si seis enormes panellas de capata. O meu Augusto, Verissimo, Caiumbuca e a gente do r��gulo, dentro em pouco estavam b��bados a cahir, e ninguem se entendia ali. Eu voltei a casa, e tive de deitar-me, de tal modo me recresceu a febre.
Foi immensa gente visitar-me, e como eu n?o tinha remedio sen?o ouvir uns e outros, porque aquelles n��gros n?o t[~e]m a menor considera??o por um doente, peiorei muito.
Lobossi mandou-me seis b?is, cuja carne foi t?da furtada p��la gente d'elle, porque a minha estava longe construindo o acampamento, e Augusto, Verissimo e Camutombo completamente b��bados, n?o quiz��ram saber d'isso.
No dia immediato, Lobossi veio visitar-me logo de manh?; eu estava um pouco melhor, mas a febre era constante e n?o queria ceder aos medicamentos.
��s 10 horas, Lobossi mandou-me pedir para comparecer diante do seu grande cons��lho, que fizera convocar expressamente para eu expor os meus projectos.
Outra vez Gambela, que presidia �� assemblea, me quiz embara?ar, e outra vez se sa��o mal. Tive de explicar Geographia a Gambela e aos conselheiros da cor?a.
Tracei-lhes no ch?o o curso do Zambeze, e a leste parallelo a elle o curso do Loengue, que, com o nome de Caf��cu��, vai entrar no Zambeze a jusante dos r��pidos de Cariba.
Mostrei-lhes que em 15 dias alcan?aria a povoa??o de Cainco, situada em uma ilha do Loengue, e que descer��amos o rio embarcados at�� ao Zambeze, e por este ao Zumbo.
Afirmei-lhes, que o Loengue n?o tinha cataractas, e que o Zambeze de Cariba ao Zumbo era perfeitamente navegavel.
Insisti pois n'este ponto, demonstrando-lhes, que apenas com uma travessia por terra de 15 dias, que se podia reduzir mesmo a 10 (citando-lhes para isso um facto de uma expedi??o Luina que, partindo de Narieze, tinha alcan?ado Cainco em 8 dias), com uma pequena travessia por terra, elles estariam em r��pida, communica??o com os estabelecimentos Portuguezes de Leste, por vias fluviaes completamente navegaveis.
O p��blico estava admirado da minha erudi??o, e Gambela, que sabia mais geographia Africana do que muitos ministros d'estado Europ��os, e que conhecia ser verdade o que eu expunha, cedeu ��s raz?es.
Depois de longa e acalorada discuss?o, foi resolvido, que se enviasse a comitiva a Benguella, e que me f?sse dada a gente sufficiente para atravessar o Chuculumbe at�� Cainco, deixando tr��s ou quatro fortes postos no caminho, para segurar a passagem ��quelles que, indo comigo at�� ao Zumbo, tivessem de regressar. No fim da sess?o, houve grande enthusiasmo, e f?ram logo nomeados os chefes que deviam ir a Benguella, e os que me deviam acompanhar.
Voltei a casa com um tal accesso de febre que perdi a raz?o, melhorando ��s 6 horas da tarde.
�� noute, annunci��ram-me a visita de Munutumueno, filho do rei Chipopa, o primeiro rei da dinastia Luina.
Mandei-o entrar, e vi um rapaz de 16 a 17 annos, muito elegante e symp��thico.
Trazia uma cal?a pr��ta e uma farda de alferes de cavallaria ligeira, em muito bom estado. Fez-me profunda impress?o ver aquella farda! ?A quem teria pertencido? ?Como teria ido parar
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